Mais uma sobre revista nacional de games
February 16, 2008Demorei para publicar sobre isso, mas vamos lá… Nas edições #69 e #70 da EGM Brasil foram publicadas matérias sobre desenvolvimento de jogos no Brasil, focando em quem está pensando em ingressar num curso superior de gamedev e na opinião das empresas nacionais perante mercado e futuros empregados.
Um trecho da matéria da edição #69 é uma entrevista com o VinÃcius Godoy e na edição #70 eu pude falar rapidamente sobre faculdade e mercado de trabalho (sim, o único “chato” que deu puxão de orelha sobre pirataria). Acho que não vai ter problema nenhum eu transcrever todas as minha respostas à s perguntas feitas para elaboração da matéria, já que são minhas próprias palavras. O mais engraçado é que fui o único que não tive nome publicado nas respostas, mas isso não tem problema.
Segue abaixo as perguntas e respostas na Ãntegra:
1) Quanto um profissional que desenvolve games pode ganhar área em uma empresa nacional?
R: Os valores variam de empresa para empresa ou da relação do profissional com a empresa. No Brasil ainda não existe um levantamento anual dos salários de desenvolvedores profissionais de jogos, ao contrário dos EUA que temos o “Annual Salary Survey” conduzido pelo Gamasutra/CMP. Sobre a relação profissional-empresa, há casos em que profissionais atuam como freelancers (por exemplo, criar parte da arte do jogo, programar uma feature especÃfica, compôr a trilha sonora, etc.) ou são registrados. No caso de freelancers, tudo depende da complexidade e tempo necessário para realizar a tarefa; os profissionais cobram desde algumas centenas de reais a R$3.000,00 pra cima. Em caso de funcionários fixos e registrados, é comum ouvirmos valores na faixa de R$1.000,00 - R$4.000,00.
2) Onde pode trabalhar? Quais games a Microways já produziu, como escolhe seus profissionais, como a empresa pode ser contactada por estes profissionais?
R: As empresas nacionais atualmente focam no desenvolvimento de jogos para PC, web e mobile (console ainda é algo raro por aqui). É comum agências de publicidade contratar nossos serviços para que criemos jogos que divulgam marcas e produtos, os chamados advergames. Há também jogos corporativos/educativos e não apenas jogos como a maioria das pessoas costumam ver. Portanto, o profissional pode trabalhar em diversos setores que estejam relacionados com o entretenimento, incluindo marketing e educação. Sobre educação, é válido lembrar que há profissionais que compartilham o conhecimento adquirido por meio de livros (embora ainda exista poucos tÃtulos) e aulas em escolas e faculdades.
Grande parte dos jogos recentemente desenvolvidos pela Microways foram advergames para empresas como Audi, Chevrolet, Volkswagen, IBM e Pepsi (sendo que esses jogos são distribuÃdos grauitamente pelas empresas). No entanto, temos nossos próprios jogos: Hoverbahn Outlaws, Skolo’s Twisting Zone e Mina Menace - Mission: Africa são apenas alguns deles. Realizamos também o porting de uma série de jogos infantis da Noruega.
O profissional tem que ter competência no que faz, vontade de aprender e de criar produtos de qualidade. Experiência prévia na área não é necessária, pois treinamos os novatos e sabemos quando se encaixam ou não na equipe. Claro, mostrar um portfólio bem produzido e selecionado conta bastante na seleção.
O contato pode ser realizado através do e-mail brazil(at)microways.com.
3) O que a Microways acha deste surto de profissionais desenvolvedores de games?
R: Novas empresas e profissionais são muito importantes para fortalecer e expandir a nossa (pequena) indústria. As pessoas devem ter em mente que o desenvolvimento de jogos é multi-disciplinar, e o crescimento do mercado é o passo para que nosso trabalho seja levado a sério e reconhecido pelas pessoas que não estão familiarizadas com jogos.
a) Como a empresa nacional enxerga este futuro profissional na área de desenvolvimento de games?
R: Como profissionais de desenvolvimento de jogos, somos responsáveis por definir e construir uma indústria nacional que ainda está engatinhando. E, como vivemos num mundo globalizado, temos que demonstrar que os profissionais brasileiros são competentes no que fazem. Não vamos esquecer também que desenvolver jogos é o nosso ganha-pão, portanto, não é legal que nós continuemos roubando uns aos outros… Conscientização contra pirataria é importante!
b) O que é pedido no currÃculo do futuro empregado?
R: O currÃculo é interessante para analisarmos a formação profissional e acadêmica do candidato, mas é importante que o candidato demonstre algo prático. Por isso o portfólio é muito importante! É interessante também o candidato ter conhecimento da lÃngua inglesa, pois nessa área o inglês é essencial.
c) A Microways acha realmente importante uma formação superior?
R: Sim, acreditamos que um curso superior forneça uma boa base e preparação para encarar o mercado de trabalho. Além disso, quem está cursando faculdade pode tentar vaga de estágio nas empresas, uma boa oportunidade para se obter experiência, aplicar o que aprendeu no curso e entrar para o mercado. Curiosidade: parte da equipe começou assim; faculdade -> estágio -> profissão.